Quando a normalidade acompanha o progresso (e faltam 9 semanas)

Apesar de em Portugal esta situação já estar resolvida (mas irá continuar a haver “ataques”, aos que é preciso estar vigilante), em outros países, que até podemos pensar que são mais “avançados” que o nosso, continua a ter de se lutar por princípios básicos de igualdade.

E os nossos visitantes já devem saber, acompanhando as notícias dos US como a maioria de nós deve fazer, que o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi considerado como Constitucional nos 50 Estados da América, o que legaliza assim essa união em todo o território.

Depois do termos observado a “naturalidade” (apesar de também ter havido algum movimento em oposição) com que Michael Sam foi aceite na NFL como um homem homossexual, agora há todo um “novo mundo” que se abre para pessoas que tem essa natureza.

Agora foi a vez de Fred Smoot, que jogou na NFL por nove épocas, onde jogou pela equipa de Washington e pelos Vikings. Numa sessão de “pergunte-me qualquer coisa” no Reddit ele disse que jogou com “vários jogadores gays”, que “toda a gente na equipa sabia que esses jogadores eram gays” e que “ninguém queria saber”.

nflcolors

Se fizermos as contas, existem 1.696 por época na NFL, de acordo com uma estimação do New York Times em 2015 existem, pelo menos, 5% de pessoas homossexuais na população, logo, por uma regra de três simples, existem muitos homens gays nas equipas da NFL.

E este despreendimento por parte dos colegas no balneários, nas salas de treinadores, e no campo, é, na minha opinião, algo bem vindo. E aliás é consistente com o que temos visto a acontecer, principalmente na imprensa, em 2012 na revista Outsports, doze jogadores diziam que não se importavam de jogar com um colega gay, no último número da revista já tinham recolhido 62 testemunhos.

Para um heterossexual e liberal como eu, há dois benefícios, por um lado observa-se um progresso civilizacional onde se progride para uma maior igualdade sem preconceito muito pouco saudáveis, e por outro lado, desde que o próximo gay nos Dallas Cowboys leve a equipa a ganhar o SuperBowl, já estou como o Fred Smoot, “I don’t really care”.

samdallas

Quando uma tragédia consegue unir uma sociedade (e faltam 10 semanas)

Esta crónica começa com uma nota pessoal

Quando estava em Connecticut, havia um Português, com quem tinha passado o processo de selecção em Portugal para irmos para os Estados Unidos e por causa disso tínhamos desenvolvido amizade, que estava a tirar o Doutoramento em Literatura Inglesa na Universidade da Carolina do Sul em Columbia, SC.

Num das paragens para o Dia de Acção de Graças, resolvi meter-me num avião e ir passar uns dias com esse meu amigo (Miguel Carrasqueira de seu nome), não só para fazer companhia, mas também para aproveitar e conhecer o Estado do Palmeto (de dizer que uma das visitas que fiz, foi a Charleston, Carolina do Norte para ver o…estádio dos Panthers).

Na altura fiquei muito (negativamente) impressionado com o display de bandeiras da Confederação que havia, literalmente, em todo o lado em Columbia.

flgsNessa altura o Miguel explicou-me que o Estado estava a passar por uma situação muito embaraçosa, onde os Senadores negros do Estado tinham conseguido passar uma resolução para ser retirada a bandeira da Confederação do topo do edifício que serve para o governo do Estado. Só que a maioria branca, resolvendo “ensinar uma lição” aos colegas na minoria, depois de aceitar a resolução, apresentou imediatamente outra que incluía a construção e um memorial para a Confederação com um poste para colocar a bandeira…na praça à entrada do edifício.

conf flag

Quem segue minimamente o que se passa nos Estados Unidos sabe o que aconteceu em Charleston onde Dylann Roof, um supremacista branco matou nove pessoas negras numa igreja.

Para além da dor e confusão que algo como isto provoca, e muito para além da discussão que era imperativo ter nos Estados Unidos sobre a facilidade em ter uma arma e causar uma tragédia destas, há a inegável vertente racista que Roof demonstrou nos seus atos e manifesto.

Assim, do muito pouco que pode ser considerado positivo no que aconteceu, é um movimento “de fundo” onde, parece, que a sociedade Americana parece querer forçar uma mudança, pelo menos, em demonstrações de símbolos de uma passado divisório e racista do passado por parte de instituições governamentais.

A juntar a isso, alguns dos jogadores na NFL como Byron Maxwell dos Eagles, Benjamin Watson dos Saints, e Calvin Johnson dos Lions, e agora a organização dos Panthers, juntaram-se ao grupo de pessoas e instituições que pedem a retirada da bandeira da Confederação dos passos do edifício governamental em Carolina do Sul.

E já no início da semana, Jerry Richardson, o dono da equipa, tinha doado 100.000 dólares para o Mother Emanuel Hope Fund, para ajudar a família das pessoas que perderam a sua vida neste horrível ataque.

richardson

Another one bites the dust??? (e faltam 11 semanas)

Depois de em Março termos visto Chris Borland a deixar a carreira de jogador profissional, por uma questão de segurança e de evitar algum problema de saúde grave por jogar futebol Americano, agora é a vez de termos outro 49er que resolve interromper a carreira.

Neste caso, Anthony Davis, com 25 anos de idade e a jogar na posição de linebacker fez saber que não vai jogar no próximo ano de forma poder recuperar fisicamente.

davis“Depois de alguns anos de reflexão, decidi que o melhor para mim será tirar um ano de jogar na NFL. Isso poderá me dar oportunidade para o meu corpo e mente de recuperar.”

Davis engrossa assim a lista de jogadores que estão a afastar-se do jogo (mesmo que temporariamente) com receios relativos a questão de saúde.

E não é por acaso. Cada vez há mais investigação a mostrar que jogadores de futebol Americano estão risco de desenvolver complicações sérias. Um estudo recente mostra que os ex-jogadores da NFL têm quatro vezes mais risco de desenvolver Alzheimers e Esclerose Amiotrófica Lateral, assim como desenvolver depressão mais facilmente devido a trauma cerebral.

Este é. E fazendo eco do que diz o nosso amigo Gregg Easterbrook, um “perigo real” para o desporto que gostamos. Cada vez mais este tipo de decisão por parte dos jogadores causa uma cultura que se estende aos jogadores mais jovens e aos seus guardiões. Podem imaginar cada vez mais pais a verem estas notícias da NFL  e a pensar se é uma boa ideia ter um filho a ficar também ele vulnerável a tantos problemas de saúde.

Haverá sempre quem queira (e/ou precise) de jogar. Mas a NFL vai continuar a ter de mudar o seu modelo desportivo.

A pensar em cheerleaders (e faltam 12 semana)

cowboys-cheerleaders 1Não, não sejam maldosos.

O artigo não é sobre o quão bonitas, elegantes e sexy as cheerleaders são….apesar de serem essas coisas todas.

Neste caso é mesmo sobre as meninas que dão um colorido especial ao futebol Americano profissional serem também elas tratadas como… profissionais.

Uma proposta de Lei apresentada na legislatura do Estado de Nova Iorque obrigaria que as equipas de NY proporcionem condições de trabalho para as cheerleaders que incluem pagamento (pelo menos ordenado minímo) e protecções básicas (inclui seguro de saúde e condições para os treinos).

Esta proposta vai no mesmo sentido que o acordo em tribunal que foi conseguido pelas cheerleaders dos Bills (as Jills) que acusaram a organização de de uma forma continuada ignorar o acordo de haver uma pagamento minimo pela contribuição das cheerleaders.

Feitas as contas às horas de treinos, eventos públicos e privados, onde as cheerleaders dos Bills chegavam a acumular 840 horas de trabalho não pago por ano.

Esta proposta não é original nos USA, uma vez que no Estado da Califórnia igual proposta de Lei já passou pela casa dos Representantes e vai ser apreciada pelo Senado este Junho. De lembrar que o Estado da Califórnia tem maioria Democrata no Senado e o Governador também é Democrata, o que significa que a probabilildade é eláevada de ser Lei. E como sabemos só o Estado da Califórnia tem três organizações da NFL

Agora, ainda podemos apreciar mais a beleza e mestria das cheerleaders, sabendo que há quem esteja a trabalhar para as meninas terem ainda mais benefícios e direitos.

NFC Championship: Minnesota Vikings v New Orleans Saints