Offseason

Neste momento estamos a entrar naquela fase da offseason que se assemelha a uma viagem de montanha russa, no momento em que o veículo termina a subida custosa e se prepara para mergulhar numa descida vertiginosa colina abaixo, com enorme acumular de velocidade, momento e inércia, em que parece que depois de iniciado aquele movimento descendente, já não pode ser parado. Assim é na NFL, pois com a chegada dos training camps inicia-se a época a sério, as “máquinas” começam a ficar oleadas e toda a preparação vai culminar no Superbowl XLVII (pelo menos para 2 das 32 equipas).

Mas durante a offseason e até à chegada dos training camps não é só descanso, pelo contrário! Durante este período realizam-se as famosas OTA’s (Organized Team Activities) e os mini-camps, que apresentam características diferentes.

Assim as OTA’s são actividades organizadas pelas equipas e que decorrem entre o fim de Abril e os meados/fins de Julho quando se iniciam os Training Camps. A quantidade de OTA’s realizadas varia de equipa para equipa,  sendo que algumas chegam a realizar 12 OTA’s, mas nem todas podem ser obrigatórias. Isto porque existe um código de conduta da NFL que define que tipos de treinos e exercícios podem ser realizados, qual a quantidade de contacto que pode existir nos treinos, se as OTA’s são voluntárias ou obrigatórias e qual o número de OTA’s que podem ser realizadas.

Deste modo, e de maneira a promover a presença de jogadores nas OTA’s, a maioria das equipas introduzem incentivos nos contratos dos jogadores de modo a fazer com que os jogadores participem em todas as OTA’s, sejam elas voluntárias ou obrigatórias (por ex.: Participa em X OTA’s para receber um bónus de X $USD). Mesmo assim, todos os anos existem jogadores que fazem os típicos “holdouts”, ou seja, não comparecem nas OTA’s por diversas razões, mas normalmente por quererem um contrato novo, isto é, mais dinheiro.

Chris Long e James Laurinitis durante uma sessão de treinos duma OTA de 2012 dos Saint Louis Rams

As multas são outra das tácticas utilizadas pelas equipas para fazer com que os jogadores participem nas OTA’s obrigatórias. O problema para as equipas, é que as multas apenas afectam os jogadores que estão sob contrato, logo, por exemplo os jogadores que receberam a franchise tag, mas que ainda não assinaram o contrato, não são afectados pelas multas e são eles quem na maioria fazem os “holdouts”.

Todas as equipas concordam que as OTA’s são essenciais para construir as fundações de uma equipa coesa e vencedora, daí as equipas tentarem incentivar tanto a participação dos jogadores, chegando mesmo a organizar OTA’s que consistem em idas ao cinema ou eventos de caridade onde os jogadores devem participar, ao invés de realizarem sessões de treino, com o intuito de ajudar a cimentar o espírito de equipa.

No entanto, vários rookies têm a sua participação nas OTA’s afectada pela regra da NCAA que estipula que os rookies não podem participar em mais do que 1 mini-camp antes do fim do 2º semestre de aulas universitárias. E em algumas universidades “desportivamente grandes” as aulas do 2º semestre terminam já durante o mês de Junho, limitando em muito a participação dos rookies dessas universidades nas OTA’s.

Como acabei de falar em mini-camp, convém explicar que os mini-camps fazem parte das OTA’s, distinguindo-se por serem uma espécie de training camp mais curto que decorre durante um fim de semana, ou uma espécie de mini estágio de pré época “à la” futebol europeu. Normalmente realizam-se em Maio/Junho e duram cerca de 3 dias, mas a duração varia de equipa para equipa de acordo com a preferência do treinador principal. Durante este período são realizados treinos (tal como nas OTA’s, também sem contacto), bem como sessões de estudo do playbook ou visualizações e análise de vídeos de jogos da época anterior, ou de treinos realizados durante o mini-camp ou OTA’s.

DeAngelo Williams e Cam Newton entre outros durante uma sessão de treinos de um mini-camp de 2012 dos Carolina Panthers

Os mini-camps podem ser voluntários ou obrigatórios, apenas destinados a rookies ou a jogadores novos na equipa, ou somente para veteranos, ou até destinados a todos os jogadores da equipa. As equipas podem organizar um mini-camp para rookies nas primeiras duas semanas após o Draft e realizar um mini-camp obrigatório para jogadores veteranos, não existindo número limite para os mini-camps para rookies que podem ser realizados. As equipas com novos treinadores principais podem realizar, se entenderem, um mini-camp voluntário adicional para jogadores veteranos.

Para terminar a offseason realizam-se os training camps que entram pela pre-season a dentro e que são o grande estágio de pré-época em que começa a preparação afincada para a nova temporada da NFL. Este pode ser realizado nas instalações da equipa ou numa localização externa como seja o campus de uma universidade.

O training camp serve para os jogadores se habituarem aos novos colegas de equipa, ou em alguns casos aos novos treinadores e novos esquemas tácticos da equipa, sendo que a presença de todos os jogadores da equipa é obrigatória, sendo que as multas pela não participação no mesmo podem chegar aos 14000$USD por dia, o que pode afectar os jogadores que estejam a fazer “holdout”, estejam ou não sob contracto.

O training camp divide-se em várias partes:

– a principal são os treinos com diversos tipos de exercícios e ou trabalho de ginásio, sendo que aqui já podem haver algumas sessões de treino com contacto, mas o seu número está grandemente limitado de acordo com o CBA que se encontra em vigor;

– sessões de estudo do jogo e reuniões com treinadores e outros jogadores colegas de posição;

scrimmages que são pseudo-jogos onde as equipas realizam uma quantidade de jogadas específicas equivalentes à duração de um jogo completo, sendo comum duas equipas realizarem parte do training camp em comum num local neutro para ambas, culminando num jogo de scrimmage;

– jogos de pré-época (incluindo o jogo do Hall of Fame).

Os adeptos das equipas podem assistir a grande parte das actividades do training camp gratuitamente ou pagando bilhete (com valor razoavelmente baixo), fazendo do training camp por si só um evento muito popular, sem contar com as actividades dirigidas aos adeptos que algumas equipas promovem para melhorar a experiência de quem assiste ao mesmo.

Tony Romo prepara-se para fazer um passe durante uma sessão de treino do training camp de 2011 dos Dallas Cowboys

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4 comments on “Offseason

  1. Uma coincidencia as imagens serem das vossas equipas preferidas não?! 😀

    Continuem o bom trabalho e mais podcasts tem andado calminho.

    • Puramente coincidência da minha parte Luís ehehe 😀

      Em relação aos podcasts, tal como a época começa a aquecer, também o ritmo dos podcasts vai aumentar, mas reconheço que os lançamentos de podcasts têm sido mais espaçados entre si e aí faço o meu mea culpa, mas a minha nova condição de pai fez-nos perder alguma disponibilidade, no entanto com a prática, isso já está a ser ultrapassado 😉

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