Triptico do NFLemPT para a 1ª semana de Agosto

We’re back and we’re bad!

Bem, pelo menos estamos de volta.

Agora que começamos a contar em dias o início da época, vamos deixar aqui um artigo semanal com as nossas considerações (Ricardo, Charles e Pedro) sobre alguns dos assuntos “quentes” da Liga

As vossas opiniões também contam.

trip (1)

Pedro Viana:

Coroações antecipadas: Seattle Seahawks

Nesta offseason os Seattle Seahawks são apontados por muitos como os principais favoritos para vencerem o Super Bowl. Mas como pode uma equipa que na época passada claudicou em 5 jogos fora de casa e contra equipas como Arizona, Detroit, Saint Louis e Miami e cujas 3 vitórias fora de casa foram contra equipas que não se apuraram para os playoffs, ser considerada este ano a melhor? Será que as adições de jogadores através do draft e da free agency fazem assim tanta diferença? Estarão eles em condições de ultrapassar o rival de divisão que foi o finalista vencido do Super Bowl do último ano? Não existirão dúvidas no ar ou questões a ser respondidas pelos jogadores que voltam este ano a vestir a camisola dos Seahawks?

Comecemos pelo primeiro ponto, pois todos sabemos que os Seahawks são muito fortes em casa (não perderam aí nenhum jogo na época passada), mas fora de casa a conversa não é bem a mesma e não é uma equipa que vença fora de portas consistentemente, pelo menos aqueles jogos que em teoria devia vencer. Esta época têm deslocações à casa dos Texans, Colts, Falcons, 49ers e Giants (falando apenas nos jogos mais difíceis em teoria), jogos que não são fáceis de vencer para quem “viaja” bem, quanto mais para quem não o faz.

Na free agency a equipa de Seattle adicionou Michael Bennett (DE), Cliff Avril (DE), Percy Harvin (WR) e Antoine Winfield (CB) (nomes mais sonantes) e no Draft não tiveram escolha de 1ª ronda (usada na troca por Percy Harvin) e talvez por isso não adicionaram, à partida, nenhum jogador de impacto imediato, apenas alguns jogadores que poderão contribuir para a rotação em algumas posições esta época. Por outro lado (positivo) não houve saídas de grande impacto na equipa, no entanto, as entradas também não me parecem ser aquelas que imediatamente elevam esta equipa a favorito imediatamente. Antoine Winfield já não vai para novo e depois dos seus tempos áureos a jogar como CB no exterior, a sua conversão para o slot / nickel adivinha-se problemática com a nova geração de receivers que alinha nessa zona do campo (Tavon Austin duas vezes por ano vai ser bom…). Bennett e Avril reforçam um sector que à partida não precisava de grandes reforços, e com os titulares já existentes parece-me muita gente a jogar ao mesmo tempo na mesma posição, e como é óbvio, ao não poderem estar todos em campo ao mesmo tempo, o seu impacto não deve ser assim tão significativo. Sobra então Percy Harvin, ao que parece o jogador que torna logo os Seahawks como o principal candidato a vencerem o Super Bowl. Só que pagar uma escolha de 1ª ronda por um jogador como Percy Harvin, com um historial de lesões e com algumas atitudes pareceu-me caro demais, apesar de todo o potencial deste jogador. E agora Harvin lesionou-se e pode falhar toda a época se se confirmar que precisa de ser operado à anca, e o cepticismo sobre os Seahawks começou a aparecer… A sério? acreditavam mesmo que só Harvin faria toda a diferença?

Analisando a equipa de Seattle penso que o jogador sobre o qual deveriam recair mais dúvidas sobre a capacidade de manter a performance do ano passado, e ainda por cima devido ao facto de a sua posição ser fulcral para o sucesso da equipa, é o QB Russell Wilson. No ano passado, Wilson viveu ao mesmo sabor da equipa, passando para 17 TD’s e 2 INT’s em casa, ao passo que fora de casa foram 9 os TD’s e 8 as INT’s, sendo que também piorou em percentagem de passes completos a jogar fora de casa 63.8% vs 64.6%, o que foi acompanhado pela média de jardas ganhas, 7 fora de casa vs 9,2 em casa, o que resultou num rating de 123.6 em casa e de 83.1 fora de casa. O mais alarmante é para uma equipa que se aponta como candidata ao título ter um QB que apresenta estes números dentro da própria divisão: Percentagem de passes completos 60%, 7.4 jardas ganhas em média em passe, / TD’s e 7 INT’s, resultando num rating de 78.8, o que me parece um bocado abaixo do standard de um QB de uma equipa que pretende vencer a sua divisão.

E com tudo isto os Seahawks serão melhores do que os 49ers? Os 49ers no ano passado venceram a NFC e perderam apenas no Super Bowl contra uma “equipa do destino” e para esta época não tiveram perdas significativas (a saída de Goldson e a lesão de Crabtree não afectam os princípios básicos de funcionamento da equipa), o que faz com que na minha opinião apresentem a melhor defesa da NFL ao passo que do outro lado da bola tem uma linha de ataque formidável que dá possibilidades a Kaepernick e a Gore de fazerem as jogadas acontecer. E se Crabtree não está lá, há Vernon Davis e Anquan Boldin para dar bastante trabalho às defesas adversárias. Portanto terei de dizer que os Seahawks por esta altura não estão melhores que os 49ers, que têm muito menos interrogações na equipa.

Ricardo Silvestre:

Não querendo ser “mauzinho” para aqueles que ganham a vida (e eu trocava com eles num milésimo de segundo) a fazerem previsões de início de época (aliás, o nosso “amigo” Gregg Easterbrook, aka TMQ costuma fazer um artigo no final da época onde mostra que toda a gente se enganou nas previsões – inclusive ele), a verdade é que estar a fazer já coroações (a não ser do bebé – que não sei o nome, não me perguntem) de um vendedor na NFL é uma parvoíce, e serve apenas para “alimentar” os debates necessários para ocupar tempos mortos.

Basta uma lesão. Basta um fumble que a bola faz “zig” no lugar de fazer “zag”. Basta um pontapé onde a bola sai para os postes, apanha um pouco de vento e é NO GOOD! Basta um jogador perder o auto-controlo e fazer algum disparate.
Uma coisa que a NFL tem é que são “muitas partes em movimento”; questões organizações, táticas, técnicas, aptidão física, emocionais. Uma equipa pode ser fantástica durante a época regular, e chegar aos playoffs e ter um jogo horrível que deita tudo a perder (ver Denver Broncos o ano passado) enquanto outra pode entrar nos playoffs com uma pontinha de sorte e levar tudo à frente (ver alguns dos wild cards nas últimas épocas que ganharam o Super Bowl).

É verdade que Seatlle tem um bom factor casa, uma boa defesa, um coaching staff razoável,  estão no “fim do mundo” o que faz com que os adversários passem muitas horas em viagem (o mesmo pode ser dito ao contrário, o que pode explicar o que o Pedro explicou que não conseguem vencer jogos fora de casa) e têm um QB que parece poder ser um dos melhores da Liga (apesar do sophmore slump – mais sobre isso a seguir). Mas têm também os 49ers na mesma divisão que….ohhh, sei lá, foram só os vencedores de Conferência! Para além dos Rams e dos Cardinals deverem estar melhor este ano (deverem, repito).

Para mim, os Seahawks podem se apurar via wild card e perderem na primeira ronda num Green Bay, numa Atlanta, em Dallas ou Nova York (esperem…acabei de fazer uma previsão…tenho de reler o meu primeiro paragrafo!)

Charles Brito:

Coroação dos Seahawks? Onde? Quando? O que é que fizeram para merecê-la?

Numa Divisão onde estão os 49ers, alguém consegue coroar os Seahawks?

Heresia!

Neste momento, os 49ers são os candidatos mais destacados à vitória final (vale o que vale, conforme exemplifiquei no meu tópico):

– Não há discussão possível entre os QB’s;

– Ambas as defesas são muito boas, com ligeiro ascendente para os 49ers;

– A OL dos 49ers é simplesmente a melhor… da Liga;

– O corpo de receivers dos 49ers é mais homogéneo (a contratação de Boldin, supera a lesão de Crabtree);

– Apenas Marshawn Lynch é superior a Franck Gore, sendo que os 49ers não perderão jogos por aí;

Assim sendo, não consigo de forma alguma coroar os Seahawks, pelo menos por enquanto…

Os principais favoritos neste momento, são (para mim):

– 49ers e Broncos.

Amanhã? Talvez…

Hoje? Nem por sombras…

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Charles Brito:

QB: “The Sophomore Slump”, verdade ou mito?

Há cerca de um ano, fui apresentado ao termo: “Sophomore Slump”, termo utilizado para caracterizar a queda/quebra de rendimento de um jogador no seu 2º ano na Liga.
Muitos acreditam que o 2º ano, é muito mais difícil para um jogador pois os adversários e os seus treinadores já possuem “kms de fita” (adoro esta expressão) onde podem analisar o jogador e prepararem-se para anular os seus pontos fortes e explorar os seus pontos fracos.

Há cerca de um ano, Cam Newton e Andy Dalton, principalmente, eram metralhados constantemente com perguntas sobre se acreditavam que as suas produções iriam piorar, e assim, confirmaram a “maldição do 2º ano”…

Andy Dalton respondeu aos 516 passes (tentativas) para 3398 jardas, 20 TD’s e 13 INT’s + 152 jardas em corrida para 1 TD no ano de 2011, com 528 passes para 3669 jardas, 27 TD’s e 16 INT’s + 120 jardas em corrida para 4 TD’s enquanto que a sua equipa passou de 9-7 (3º lugar da Divisão e ida aos Playoffs) para 10-6 (2º lugar da Divisão e ida aos Playoffs).

Era apontado como um “Gunslinger” (QB que dispara “sem pensar” em tudo o que mexe) e que dificilmente iria repetir o bom trabalho desenvolvido com AJ Green, mas os números dizem outra coisa…

Cam Newton  respondeu aos 517 passes (tentativas) para 4051 jardas 21 TD’s e 17 INT’s + 706 jardas em corrida para 14 TD’s, com 485 passes para 3869 jardas, 19 TD’s e 12 INT’s + 741 jardas para 8 TD’s enquanto a sua equipa passou de 6-10 (3º lugar da Divisão) para 7-9 (2º lugar na Divisão).

Resumindo, Andy Dalton confirmou ser um QB acima da média enquanto que Cam Newton confirmou ser um dos QB’s mais electrizantes da Liga…

Será por isso que este ano, não se faz as mesmas perguntas a Russell Wilson, Andrew Luck, RGIII e Colin Kaepernick (3ª época, mas “2ª” como titular)???

Onde está o ódio da Imprensa este ano, pelos QB’s que tomaram de assalto a Liga?

Onde estão as dúvidas dos adeptos em relação a determinada característica desses jogadores?

Onde estão os Kms de fita? Será crise?

A NFL está incólume á crise…

Ah pois! Os Seahawks, os Colts, os Redskins e os 49ers são mercados maiores…

Pedro Viana:

Eu considero que todos os QB’s passam por sophomore slumps, maiores ou menores, mais ou menos graves. Como pode ser visível nos números apresentados pelo Charles, não podemos dizer que quer Dalton ou Newton, tenham tido um segundo ano globalmente pior ou melhor, pois houve estatísticas onde melhoraram e outras onde pioraram. Mas tudo isso faz parte do crescimento de um QB na NFL. Pode-se dever ao facto dos coordenadores defensivos já terem os ditos km’s de fita, como ao facto de a pressão sobre os QB’s ser maior, como pelo facto de muitos coordenadores de ataque expandirem, ou alterarem o playbook de 1º ano, numa tentativa de mudar o aspecto do ataque da equipa, tornando-o mais complexo não só para as defesas adversárias, como por vezes até, para os seus jovens QB’s.

Em relação aos QB’s das equipas que o Charles refere, nomeadamente Seahawks (Wilson), Colts (Luck), Redskins (RGIII) e 49ers (Kaepernick), actualmente não ouvimos falar de sophomore slump, porque se tratam dos meninos bonitos da NFL neste momento. Isso porque para além de serem jovens QB’s que no 1º ano a titular tiveram bastante sucesso (todos levaram as suas equipas aos playoffs) e alguns deles (Wilson, RGIII e Kaepernick) apresentam um estilo de jogo que se pensava não resultar na NFL, mas que no ano passado deu frutos. Podemos dizer que estes são os QB’s da moda, dos quais é “chique” falar e elogiar, por isso não convém levantar muitas dúvidas sobre as suas capacidades.

Mas a ser verdade que muitos coordenadores defensivos da NFL estudaram afincadamente durante esta offseason juntamente com treinadores de college de modo a perceberem como melhor pararem este tipo de ataques, poderá ser uma questão de tempo até estarmos a falar de mais uma “trend” de ataque abandonada.

Não esquecer também que este tipo de ataque comandado por QB’s como Wilson, RGIII e Kaepernick, expõe-os a uma maior quantidade de colisões, como se viu no ano passado com RGIII, e isso pode ser fatal para à sua evolução. Pois as defesas irão começar a perceber que estes QB’s não têm a mesma robustez física de um RB, e as placagens podem começar a ficar mais duras, podendo provocar lesões que levem os QB’s a abandonar os jogos ou a retrair o seu estilo de jogo. Portanto este tipo de QB’s terá de se preparar para suportar melhor os impactos do jogo, sob pena de terem uma sophomore slump pelas piores razões, sendo que daqui sai Luck a ganhar, porque tem um estilo de QB mais clássico e, na minha opinião, para o seu desenvolvimento este ano será fundamental o seu coordenador atacante, já que Bruce Arians já não está em Indianapolis e foi ele que planeou meticulosamente o playbook dos Colts que tirava especialmente partido das capacidades e qualidades de Luck no seu 1º ano.

Ricardo Silvestre:

Bem, não é nada de “estranho” que QB’s de segundo ano tenham mais dificuldades para ter sucesso. Os coordenadores defensivos têm os tais km de fita de que o Charles fala. Mas eu quero mais fazer uma suposição de um facto que pode afectar um jogador nesta posição.

Quando se está numa das grandes fábricas de jogadores para a NFL, a que os Americanos chamam  “Futebol Americano Universitário”,  apesar de já haver uma exposição a toda uma cultura de estrelato, os jogadores são muito protegidos pelos Departamentos Académicos. O que é de esperar. Os atletas/estudantes são um investimento avultado para a Universidade (bolsa de estudo, staff médico e fisioterapeuta, staff técnico, auxiliares educativos, dormitórios fantásticos, condições de treino fabulosas, etc), para além de serem controlados (as vezes menos do que deviam) para situações menos correctas, como é receberem dinheiro, prémios, ofertas, ou andarem a meter-se em situações…complicadas.

Quando eles saem da Universidade para uma equipa da NFL, não “afrouxa” o controlo. É verdade que agora existe um agente que serve (na maior parte das vezes) para meter “veneno” e as “entourages” crescem exponencialmente, mas na maior parte das vezes, o investimento da organização vem acompanhado de um conjunto de cláusulas que faz com que o jogador de primeiro ano ande “de rédea curta”.

Mas depois de uma época de grande sucesso, já estão a ver o que acontece… ESPY’s, entrevistas para a ESPN, Sports Illustrated, para a imprensa local. Cocktails, torneios de golf, festas com celebridades. Contratos publicitários, grandes expectativas para dentro e fora de campo.

A “pressão” deve aumentar “quadraticamente” (momento matemático este) e de repente o jogador que estava totalmente seguro que era “o maior”, percebe que não consegue estar com a cabeça em tantas “arenas” ao mesmo tempo. E depois há as lesões, há os ressentimentos por parte de outros colegas de equipa, há desentendimentos com os treinadores, há divergências com médicos,  etc. RG3, anyone?

A seguir com a classe 2012-2013.

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Ricardo Silvestre:

As chatices de se ser campeão

Agora que a época está a começar, e quando ainda não há muito para falar na imprensa, um dos tópicos será a “ressaca” que os campeões Ravens podem ter quando começarem os jogos a sério. Afinal, os campeões têm sempre “menos motivação”, ou “estão ainda encantados”, ou estão a “repousar nos louros” ou o que for que seja a frase favorita para descrever a época que se segue ao triunfo máximo na NFL.

Foi com um agrado divertido que reparei que o treinador John Harbaugh fez saber que, o problema dessa “narrativa” não é tanto com a sua equipa, ou com uma “tradição” de “ressacas”, mas sim… com a imprensa.  Bem sei que não estou a escrever um Dentro da Press Room.

“A única razão para que seja difícil repetir um título é porque as pessoas associadas com a equipa não conseguem deixar de pensar no tema. Eu diria à imprensa “just get over it” (esta é deliciosa demais para estar a traduzir para Português). A vida anda depressa e eu acho que somos capazes de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Não é como que tenhamos que esquecer que vencemos o Super Bowl de forma a nos concentrarmos na próxima época. Nós somos capazes de sentir orgulho pelo que fizemos e continuar a atingir novos objectivos”.

Nos últimos 10 anos, o vencedor do Super Bowl qualificou-se seis vezes para os playoffs, e se repararmos, mesmo que seja num passado recente, os Cowboys venceram os Super Bowl XXVII e XXVIII (1992 e 1993), os Broncos venceram os Super Bowl XXXII e XXXIII (1997 e 1998) e os Patriots venceram os Super Bowl XXXVIII e XXXIX (2003 e 2004). Mas também é verdade que é muito difícil repetir ganhar o título da NFL.

Fixação da imprensa? Ou pode haver mesmo alguma influência da “ressaca”?

Charles Brito:

NORMAL

A vitória num Superbowl é um feito muito difícil de atingir… quanto mais fazê-lo em anos consecutivos!
Claramente, as equipas que jogam na época seguinte com o rótulo de Campeão em título, estão sob os holofotes da Imprensa, mas dos adeptos também.
No entanto, e à semelhança de anos anteriores, o vencedor não era considerado favorito no início da época, tendo inclusive ganho o SB a uma equipa, aparentemente, superior e essa sim, favorita…

Nos últimos 6 SuperBowls, a vitória recaiu sobre a equipa considerada “outsider”, sendo que apenas os Steelers em 2009 e os Packers em 2011 confirmaram na Final a sua real supremacia.
Quem não se recorda da(s) vitória(s) dos Giants sobre os “invencíveis” e “mais-que-favoritos” Patriots?
Quem não se recorda do Onside Kick que celebrou o Sean Peyton como um dos maiores cérebros do jogo?
Quem acreditava no Flacco contra a defesa dos 49ers?

A verdade é que o passado recente coroou “underdogs”, assim sendo, é NORMAL  estas equipas dificilmente repetirem um feito já de si considerado fantástico.

Os Ravens (crónica equipa de Playoffs) não fugirá á regra! Podem ir longe, até repetindo a vitória, no entanto, não são (pelo menos nesta fase) considerados candidatos.

A Imprensa e os adeptos gostam de apostas e escolhas “sexy”, e a verdade, é que a equipa de Baltimore é tudo menos sexy: filosofia da equipa assente na defesa, jogo em corrida, um QB que não faz manchetes, o irmão Harbaugh menos mediático e/ou espalhafatoso… Resumindo, trata-se de uma Organização que trabalha, trabalha, trabalha… Não têm “wonder kids” a comandar o ataque, não tem sequer um QB “bankable” mediaticamente, assim sendo, é normal todos pressionarem esta (e outras em circunstâncias semelhantes) equipa, no sentido, de darem a entender que de facto não são actuais e reais candidatos.

Não menos importante: a defesa (coração da equipa) foi bastante remodelada, com a saída de 2 dos grandes pilares (Reed e Lewis) sendo NORMAL, todos quererem saber qual a estratégia para o futuro, mas acima de tudo, do presente.

Com Ozzie Newsome ao leme da Organização e com o “mano” Harbaugh (o mais sereno) a tranquilidade e NORMALidade imperará nesta equipa, continuando a serem uma das equipas mais difíceis de abater, mas fora do grupo dos “candidatos” actualmente…

Pedro Viana:

Eu penso que a fixação da imprensa se deve ao facto de ser muito difícil de repetir em anos consecutivos a vitória no Super Bowl, e assim é um tema quase certo para falar, porque à partida o vencedor do ano passado não repetirá o feito e as previsões da imprensa serão concretizadas. Depois existirá também um pouco de “ressaca”, pois acredito que alguns jogadores (poucos) poderão sentir que já alcançaram os seus objectivos de carreira com um anel, e de certa forma “desleixarem-se” e numa equipa da NFL, dada a sua grande competitividade, quando todos não puxam para o mesmo lado, isso sente-se. Mas na minha opinião o principal factor prender-se-á com o facto dos free agents da equipa vencedora do Super Bowl serem os mais apetecíveis da liga e na offseason muitas vezes os dólares falam mais alto e as equipas vencedoras vêm-se privadas de vários jogadores, alguns dos quais que podiam ser peças fulcrais da manobra da equipa no ano anterior.

Falando em particular dos Ravens, este ano é normal focar-se ainda mais este tema, devido aos jogadores que saíram da equipa, muitos dos quais pedras fundamentais, principalmente da defesa (ainda por cima de uma equipa cujo elo mais forte, é tradicionalmente a defesa).

Acredito no entanto que a organização dos Ravens, através do seu GM e treinador principal, fará aquilo a que já nos habituou, que é apresentar uma equipa mais uma vez muito competitiva e com aspirações de vitória da divisão e ida aos playoffs. Objectivo que mais do que provavelmente conseguirão concretizar, mas poderão ter dificuldades em singrar nos playoffs.

Não esquecer que a equipa já começou a ser preparada, pelo seu GM, neste draft para os anos futuros, e com mais um draft realizado (o do próximo ano), os Ravens podem voltar novamente a estar nas cogitações dos especialistas como mais um dos candidatos ao título.

Triptico do NFLemPT para a 4ª semana de Julho

We’re back and we’re bad!

Bem, pelo menos estamos de volta.

Agora que começamos a contar em dias o início da época, vamos deixar aqui um artigo semanal com as nossas considerações (Ricardo, Charles e Pedro) sobre alguns dos assuntos “quentes” da Liga (perceberam, quente…de Verão quente… meh, deixem estar)

; )

As vossas opiniões também contam.

trip (1)

Ricardo Silvestre:

Deitar uma vida de “sonho” fora: A prisão de Hernandez.

Depois de se ter afirmado como um jogador com um talento enorme e ter ajudado os Patriots a afinar a tática do “two tight ends set” (juntamente com o Gronk), o que tenta agora ser desesperadamente copiado pela Liga, e inclusive ter “quebrado o meu coração”, ao ver a minha jornalista favorita nos USA, Rachel Maddow a referir-se a ele como seu “namorado” (ainda estou a recuperar dessa), mais um jovem com todo o futuro (e que confortável seria) deita tudo a perder. Aaron Hernandez foi preso por ser suspeito de um homicídio depois de um corpo ter sido encontrado perto da sua casa. A vítima foi um jogador semi-profissional dos Boston Bandits que foi encontrado com múltiplos ferimentos no peito. A vitima de nome Lloyd era o namorado da irmã da noiva de Hernandez, e ambos os homens estiveram juntos na noite da morte de Lloyd. Apesar de ainda não haver qualquer culpa formal, Hernandez foi considerado suspeito por ter tentado alterar o log no sistema de segurança da sua casa para tentar alterar horas de registo de entradas e saídas, assim como pelo facto de ter contratado empregadas de limpeza para limpar toda a casa depois de o corpo de Lloyd ter sido descoberto. Duas horas depois da sua prisão, os Patriots dispensaram o jogador. Fica assim destruída uma carreira. Fica assim comprometida uma equipa, mas pior que isso, mais uma pessoa que perde a vida por causa de uma cultura de falta de inteligência, sensação de impunidade, desnorte emocional, posse de armas para resolver qualquer problema. Um problema que grassa (demasiado) na NFL na minha opinião.

Charles Brito:

Infelizmente trata-se apenas de mais uma caso onde um jovem e prometedor (sim, acredito que ainda não tinha atingido todo o seu potencial) jogador da NFL termina abruptamente a sua carreira por acontecimentos extra-desportivos.
Aaron Hernandez foi “vítima” daquilo que muitos apontam à NFL: Muito dinheiro, muita notoriedade para jovens com passados “duvidosos”, sem acompanhamento adequado e com o “mundo a seus pés”…

A partir de agora, ouvir-se-ão cada vez mais “histórias negras” onde será incluído o seu nome… Daí as minhas perguntas: Porquê só agora? Porque é que os supostos tiroteios anteriores foram “abafados”?

Cada vez mais, a NFL tem-se preocupado com o acompanhamento dos jovens jogadores, mas a verdade é que será impossível impedir episódios destes.

Nate Newton (antigo jogador da Linha Ofensiva dos Cowboys) afirmou que era impossível um alcoólico (ele) deixar de beber, após receber um prémio (de assinatura de contrato) de 12.000.000$…

Deixar de apostar em pessoas com vícios? Também não é resposta porque assim, Joe Namath nunca teria ganho o SB pelos Jets…

Resta-nos apenas lamentar o sucedido, e esperar que sejam poucos no futuro. Nenhuns no futuro? Keep dreaming…

Pedro Viana:

De facto, Hernandez, se se vierem a confirmar as acusações que recaem sobre si, pode ter arruinado as suas hipóteses de construir uma carreira de sucesso na NFL. Para além das implicações imediatas que a sua prisão teve na equipa dos Patriots (desportivas e financeiras), bem como as implicações imediatas que o seu acto teve na vida da vitima e dos seus familiares e inclusive para além das implicações imediatas na vida de Hernandez, importa salientar que existirão implicações a longo prazo para todas as partes envolvidas e que serão mais graves.

De uma forma geral podemos dizer que o que se passou é fruto de um problema cultural dos Estados Unidos da América, amplificado pelo facto de a NFL para alguns jogadores “oferecer” muito dinheiro, que permite extravagâncias que de outro modo não permitiria. É um facto que a NFL tenta combater este tipo de situações, organizando todos os anos um simpósio para todos os rookies onde são debatidos estes temas e são dados testemunhos de como as coisas podem correr bem ou mal numa carreira. Há também equipas que promovem a nível individual estes tipos de actividades, mas ainda assim continuamos a verificar que não é por isso que este tipo de casos deixa de acontecer, isto porque, na minha opinião, este é um problema cultural, ou educacional, ou até simplesmente devido a más influências, algo que para mim é geral no país, onde acontecem muitos mais casos destes, mas o facto é que a NFL serve como uma lupa que amplia todos estes casos, uma vez que se espera uma atitude superior por parte de quem ganha tantos milhões para dignificar o nome das instituições que serve.

Para concluir, de dizer que este caso de Hernandez parece ainda mais estranho, porque este não é de todo o tipo de atitudes que estamos à espera de ver por parte dos jogadores dos Patriots, principalmente por parte de jogadores escolhidos pela equipa no Draft. Aliás, para o público geral, Hernandez era visto como um jogador pacato e que não dava muitos problemas, por isso, para mim, foram surpreendentes os relatos de outros casos sucedidos no passado e que foram abafados, e que só agora foram trazidos a público, bem como o facto de terem existido equipas que já à altura do draft, excluíram por completo Hernandez do seu draft board, classificando-o como uma “ovelha negra”, ou seja como um jogador a evitar. Face a todas estas noticias, fica a dúvida, será Bill Belichick esse génio tão conceituado do draft? Não terão os Patriots sabido de todos esses problemas pré e pós draft? Ou estariam cientes de que tinham entre mãos uma bomba relógio que estava prestes a explodir, mas que entretanto tentavam espremer tudo o que conseguiam dela, antes da explosão acontecer?

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Charles Brito:

Durante este período da época todos se sentem capazes de chegar ao SuperBowl.

Qual a equipa que melhor se preparou?

Qual a equipa que pior se preparou?

Melhor:

San Francisco: A maioria dos holofotes está virado para a equipa de Seattle, no entanto, acredito que os 49ers são os principais favoritos para ganhar o próximo SuperBowl. Dominaram o último Draft de uma forma tão clara que parecia que era só deles, com tantas escolhas a verdade é que escolheram quem queriam, e quando queriam. Nomes sonantes? Nem por isso, mas a verdade é que esta Organização formou esta equipa pelo Draft e saiu-se muito bem, portanto, as escolhas feitas devem ser as adequadas. A aquisição de Boldin, trouxe mais uma arma experiente para Kaepernick, a um preço muito baixo.

Não duvidem que com a qualidade existente nesta equipa, mais a assinatura de novos jogadores, os 49ers estão claramente á frente na corrida.

Pior:

Patriots: Uma offseason demasiado invulgar para uma Organização tradicionalmente pacata, onde as manchetes são quase sempre sobre quem será o adversário deles no próximo SuperBowl.

No entanto, os casos Hernandez (Suspeito de homicídio), Gronkowski (diversas cirurgias), Dennard (+ 1 caso de polícia), Welker (ganhou o braço de ferro com a equipa, indo atrás do dinheiro, que dizem não merecer) têm sido em demasia para apenas se concentrarem no Football.

Com o reaparecimento de uma equipa de Miami sólida e com inúmeras caras novas, com uma armada ofensiva a instalar-se em Buffalo e com todos os problemas já referidos nos Patriots, a próxima época adivinha-se menos pacífica do que previsto.

Pedro Viana:

Melhor:

Atlanta Falcons

Todos nos lembramos de como terminou a época passada para os Falcons e que em suma, foi uma imagem de como toda a época correu. Um ataque capaz de marcar pontos aos magotes, mas que quando chegava a altura de não arriscar tanto e segurar o resultado,  não era capaz de o fazer pois o seu ataque em corrida não era capaz de suster os seus drives. Do lado da defesa, existiam algumas falhas de marcação na posição de CB, e a falta de um pass rush consistente, expunha demasiado o centro do terreno, pois como todos sabemos, os LB’s não são o primor da cobertura ao passe. Entramos então nesta offseason e o que é que os Falcons fazem? Reforçam a sua defesa com novos DE’s e CB’s através do draft e free agency (Osi Umenyiora – free agency e Desmond Trufant – draft) e trazem a bordo um novo RB Steven Jackson através da free agency, que juntamente com Matt Ryan, Roddy White, Tony Gonzalez (que também está de volta) e Julio Jones, torna um ataque que já metia medo, num ainda mais assustador. Ou seja:

– RB que permite que o ataque em corrida seja capaz de suster os seus drives. Check!

– Melhores CB’s com mais capacidade de marcação. Check!

– Novos DE’s que reforçam e permitem intesificar o pass rush. Check!

Em suma, com estas adições os Falcons têm tudo para suprir as suas principais deficiências mostradas no ano passado, e serem mais uma vez uns candidatos ao título. O que cimenta a minha opinião de que Thomas Dimitroff é um dos melhores GM’s da liga.

Pior:

Oakland Raiders

Os Raiders partiram para esta offseason com muitos problemas para resolver, agravados pelas saídas de alguns jogadores. À entrada para esta nova época, estima-se que sejam 14 os novos titulares de um total de 22. Com um draft que foi muito questionável e sem a adição de nenhum nome que prometa elevar a equipa da mediocridade, dificilmente esta equipa podia, para mim, escapar a este lugar de equipa que pior se preparou. É verdade que o novo GM, está a preparar a equipa para o futuro, não realizando grandes contratações na free agency, de modo a aliviar a equipa financeiramente, de modo a melhor prepará-la para em anos vindouros sem mais competitiva, mas no presente, com tantos jogadores apontados como titulares, que na maioria das equipas da liga, dificilmente sairiam do banco, isso diz tudo sobre a preparação para esta época.

Ricardo Silvestre:

Melhor:

Denver Broncos

Quando o ano passado a equipa tinha “tudo” para chegar ao Super Bowl (eu não acredito que os Patriots conseguissem ganhar no Mile High Stadium), faltou apenas uma pontinha de sorte (e de atenção por parte tanto da defesa como de Peyton, dois pequenos erros e perderam o jogo), este ano a equipa ainda mais reforçada está e pronta para mais uma “corrida” ao segundo título para Manning (não o Eli, o outro).

No draft foram buscar um running back, Montee Ball que tem o potencial para ser um titular logo de início e um candidato a rookie atacante do ano. E bem sabemos como é fácil para ruinning backs (RB) serem bem-sucedidos no ar rarefeito de Denver. Parece que qualquer pessoa tirada das bancadas pode ser um RB com rendimento. A juntar a isso, vão continuar a estar com tarefas de carregar a bola tanto Ronnie Hillman como Knowshon Moreno que serão bons garantes de soluções em corrida para uma equipa que vai apoiar o seu jogo em ataque no passe.

E por falar nisso, na senda do “se não conseguirem ganhar, juntem-se a eles”, neste caso, “se não os conseguirem bater, vão buscar os seus jogadores”…Wes Welker. Não só Wes dá uma solução para o passe curto e em “movimento” que vai ajudar Peyton, como inclusive deve ter umas quantas ideias de como bater algumas das melhores equipas da AFC que jogam sempre o melhor contra os Patriots. Dois jogadores também importantes são o Ryan Clady que vai ficar com a posição de left tackle, assim como Nate Irving que vai assumir a posição de linebacker.

Os Broncos têm um calendário verdadeiramente extraordinário, com jogos contra os Baltimore, Giants, Cowboys, New England (hello Welker), com Washington (hello Shanahan). E se Kansas melhorou na posição de QB, e San Diego na de LB (com a adição da namorada do Te’o –upsss, to soon??) e os Raiders são..well, os Raiders. Acredito que Denver está novamente bem posicionado para chegar ao grande jogo.

Pior:

New England Patriots

Aqui vou ter de concordar com o MC.

Os Patriots, não que se “tenham preparado” mal, mas aconteceram coisas que são estranhas demais para aquela que tem sido uma organização “modelo” nos últimos anos. Primeiro quase começam uma nova “guerra fria” entre os USA e a Rússia por causa de um anel, depois o caso Hernandez, o facto de Gronk parecer feito de vidro (ou então demasiado tempo passado em pistas de dança), o facto de terem ido buscar o Tebow não se percebe muito bem para quê (estava á espera que lá porque seja Belichick que não teriam de andar a falar sobre Tebow o tempo todo?) A situação de Welker que foi muito mal negociada. Um Brady que está a começar a mostrar sinais de estar na fase descendente da carreira e sem substituto à vista (não, o Timmy Jesus Freak Tim não é um QB de futuro) e finalmente um conjunto de escolhas no draft que, tipicamente Belichikianas, são jogadores de segunda linha que se espera que superem expectativas.

Não dou tanto mérito assim à AFC East como dá o Charles, mas os Patriots não são um candidato ao título (até serem).

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Pedro Viana:

A deslocação do poderio da NFL da AFC para a NFC

Se à uns anos atrás era claro que o poderio da NFL se encontrava do lado da AFC, nos últimos tempos, e para mim, confirmado por esta última offseason, o poderio da NFL encontra-se na NFC. O que é que eu quero dizer por poderio? Quero dizer a existência de mais equipas com melhor qualidade. É verdade que a último Super Bowl foi ganho por uma equipa da AFC, mas se neste momento vos perguntar quantas equipas da AFC têm hipóteses reais de vencer o Super Bowl deste ano, dificilmente esse número passará de duas equipas, ao passo que na NFC esse número pode chegar a 4 ou 5 equipas. Poderemos pensar que se trata de uma questão de topos, em que as melhores equipas estão na NFC e que o resto da conferência se encontra nivelada por baixo, mas pelo contrário, nesta conferência encontram-se neste momento as divisões mais competitivas. A NFC Oeste em tempos nivelada por baixo, apresenta-se agora como a divisão mais competitiva da NFL e com 2 claros candidatos à vitória do título. A NFC Norte é também bastante competitiva e poderemos daqui tirar um candidato ao título e a Sul a conversa não será diferente. Neste momento a divisão Este poderá ser a mais fraca, mas ainda assim não deixa de ser um divisão muito competitiva, que não estando nivelada por baixo, poderemos dizer que está nivelada medianamente ou algo acima da média. Aplicando o mesmo raciocínio à AFC, vemos que na divisão Oeste, se retirarmos os Denver Broncos, candidatos ao título, temos um nivelamento por baixo, apesar da incógnita neste momento sobre o que serão os Chiefs este ano. Na divisão Sul, Texans e Colts apresentam-se como os candidatos aos Playoffs, mas ambas as equipas apresentam lacunas que as impedem de ser apontadas como tendo reais hipóteses de vencer o título. A Este neste momento há muita indefinição, podendo vir a ser uma divisão muito competitiva mas dificilmente pouco acima da média, ou sem grandes candidatos ao título depois de tudo o que se passa com os Patriots. A Norte, temos a divisão que alberga os campeões em título mas que poucos acreditam ser capazes de o repetir, bem como os Steelers e os Bengals, ambas equipas com fortes hipóteses de ir aos playoffs e uns Browns em ascensão que prometem dar que falar este ano. Sem dúvida esta é a divisão que alia mais competitividade e qualidade na AFC.

Mas qual será a razão para essa deslocação de poderio? Para mim será um misto de razões que incluem o facto de devido a durante a algum tempo a NFC ter estado nivelada por baixo, isso fez com que tivessem sido implementadas muitas mudanças ao nível das organizações com a contratação de jovens treinadores e GM’s com novas metodologias de trabalho que permitem obter mais sucesso, também o facto de estarem niveladas por baixo, implica a escolha na generalidade de melhores jogadores no draft que acabam por melhorar a qualidade das equipas. Se a isso juntarmos o facto de do lado da AFC, apesar de existirem organizações com uma gestão mais jovem e com novas metodologias de trabalho, existir uma maioria de organizações mais rígidas e com metodologias de trabalho ultrapassadas, nas quais os seus órgãos de gestão se continuam a basear por terem dado frutos no passado, apesar de não o fazerem hoje em dia, e aliado a isso, o facto de termos do lado da AFC mais equipas que apresentam uma má gestão já crónica ou histórica (por exemplo os Oakland Raiders), tudo isto leva a que na minha opinião, neste momento, a AFC esteja a perder o comboio da supremacia na NFL, note-se bem que eu disse neste momento, porque tudo isto é muito volátil, pois as organizações na NFL tem a capacidade de “dar a volta ao texto” muito rapidamente, veja-se o exemplo recente dos San Francisco 49ers.

Ricardo Silvestre:

Esta opinião do Pedro faz-me pensar numa”onda” crescente no desporto nos USA (principalmente nos “grandes”; NFL, NBA e NHL) onde se pensa, cada vez de uma forma mais declarada, de se acabar com a final do campeonato a ser disputado entre vencedores de conferências com grupos de equipas diferentes.

Cada vez ganha mais força a ideia de as conferências e as divisões se manterem, e com algumas implicações que isso significa, por exemplo, vencedores de divisões apuram-se para os playoffs (NFL), 8 equipas de cada conferência apuram-se para a segunda fase da época (NBA, NHL), mas… no lugar de as equipas de cada conferência jogarem entre si até ao vencedor que defende a Conferência na grande final, o “seeding“, ou seja, o posicionamento seria a equipa com pior registo contra aquela com o melhor registo, e por ai adiante, independentemente da conferência a que pertencem.

Isso faria que houvesse uma maior lealdade nos resultados, uma vez que seria “talento contra talento”, no lugar de “vicissitudes” dos emparelhamentos. Por exemplo, na NFL, pode-se ter um vencedor de uma divisão com um recorde de 8 vitórias e 8 derrotas a receber em casa uma equipa com 11 vitórias e 5 derrotas, o que se diz, é algo injusto.

Haverá coragem para isso? Duvido. Estes três desportos são mais “progressistas” que a MLB (apesar de esta Liga também está a pensar em aumentar o número de equipas que se apuram para os playoffs – e nem imaginam as resistências que se montaram), mas mesmo assim seria romper com um modelo competitivo muito popular e bem aceite…apesar de depois “toda a gente” protestar com os emparelhamentos.

Quanto à passagem de poder na NFL, é inegável… mas, depois esperamos quando chegarmos ao Super Bowl, continue a ser fifty-fifty.

Charles Brito:

Draft! Draft! Draft!

Anos de domínio das equipas da AFC originaram normalmente escolhas mais baixas das equipas da NFC nos Drafts… Assim sendo, os melhores jogadores (QB’s), tendencialmente, são escolhidos pelas equipas da… NFC.

No entanto, gostaria de salientar que seguindo um dos critérios do Pedro Viana (mais equipas candidatas ao SuperBowl), a AFC teve (e tem) cronicamente 4/5 equipas (Patriots, Steelers, Ravens, Colts e Broncos), no entanto, e aquilo que mais se sente no início desta época, é que este leque aparentemente “seguro” de candidatos parece ser menos competitivo, no entanto, contem com eles:

Aos Steelers é apontada a idade dos seu núcleo de defesas;

Aos Patriots são apontados os casos “extra-Football”;

Aos Ravens são sempre “Underdogs”;

Os Colts estão claramente em reconstrução;

Sendo que apenas os Broncos aparentam ser claros candidatos a ganharem o Troféu Lombardi.

Do lado da NFC, existem menos candidatos “crónicos” a vencerem a Liga (Packers, Giants e Saints) e mesmo estes já viveram “melhores dias”, no entanto, algumas equipas com tradição (Redskins, Bears, 49ers e Rams) parecem “renascer das cinzas”, muito graças à reconstrução dos seus planteis, assim como surgem “novos” candidatos (Seahawks e Falcons) que parecem, pelo menos nesta fase, capazes de ombrear com as grandes “scuderias” deste desporto de alta velocidade….

Acredito que se trate de um efeito de moda, já que os QB’s destas equipas são os principais rostos das suas equipas, e se de um lado temos QB’s com créditos firmados (Brady, Roethlisberger, Flacco, Peyton Manning e Rivers), do outro, temos o surgimento de uma nova “turma” de QB’s (RGIII, Bradford, Wilson, Cam Newton e Kaepernick), aliados a QB’s que estão ainda numa fase ascendente da carreira (Rodgers e Ryan) que de facto fazem as manchetes dos jornais e são considerados o futuro da Liga.

Ou seja, de um lado temos “generais” com créditos firmados, mas em fase descendente. Do outro, temos “coronéis” com enormes expectativas, em fase ascendente.

Assim, e na minha perspectiva, existem 4 candidatos na AFC (Patriots, Ravens, Steelers e Broncos), muito graças ao seu “histórico” e existem 5 na NFC (Packers, Bears, Falcons, 49ers e Seahawks).

Vantagem sim, mas muito curta…