Dentro da Press Room para a semana -3

press room

Estou muito contente por vos apresentar, nesta semana no Dentro da Press Room, algumas mulheres Portuguesas que gostam da NFL (sim, existem). Vejam o que elas têm para dizer.


 1 – Fala-nos um pouco sobre ti. O teu percurso pessoal. O que fazes profissionalmente. Qual a tua opinião sobre seres Portuguesa.

Ana:

ana p Olá a todos os NFLianos!!  Chamo-me Ana Pardal, tenho 25 anos, alentejana de gema – sou de Estremoz,…estudei Enfermagem em Évora e encontro-me neste momento a trabalhar em Inglaterra (como tantos milhares de portugueses!) … mas onde é com muito orgulho que digo que sou Portuguesa … embora hoje em dia olhe para o estado do meu país com alguma tristeza,… Mas como tristezas, decididamente, não pagam dívidas (senão este país já estaria rico nesta altura!).

Elsa:

elsa O meu nome é Elsa, sou de Coimbra e tenho 35 anos. Sou formada em serviço social contudo, por opção, decidi ser a minha própria patroa e tenho uma agência de viagens. Nos meus tempos de criança/juventude, fui jogador de basketball federada e essa era a minha grande paixão! Lembro-me de passar horas no pavilhão a treinar com o meu escalão e com os escalões seguintes e desde sempre que tenho muita paixão pelo desporto, principalmente tudo o que sejam desportos colectivos!Quanto à minha opinião de ser portuguesa, de momento poderia entrar em milhentas divagações devido ao estado em que Portugal se encontra, mas não vale a pena! O que conta é que adoro ser portuguesa, adoro o nosso clima, a nossa gastronomia, as nossas praias, a nossa cerveja e os nossos tremoços!

Marta:

m Sou a Marta, tenho 30 anos. Nasci nos Açores mas vivo à 13 anos no Algarve onde exerço a minha profissão de dietista. Gosto de ser portuguesa, apesar que neste momento viver em Portugal torna-se insustentável. Contudo, amo as minhas origens as nossas tradições e costumes.

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2 – Como nasceu o gosto pela NFL?

Ana: O gosto pela NFL começou através da atração pela 7ªarte associada ao gosto pelo desporto em geral! Durante a adolescência comecei a adorar ver filmes e séries televisivas assim como a adorar ver desporto (mas só ver! porque praticar, como se costuma dizer por minhas terras,…nunca fui grande espingarda!).  Confesso também que me fui tornando um tanto “conquistada” com os EUA e a sua cultura ao longo dos anos… E com isso também interessada em perceber o jogo do qual eles tanto gostam! A modalidade em si e as histórias cinematográficas sobre futebol americano, baseadas muitas vezes em factos reais, despertou o interesse em perceber o desporto e a emoção que o mesmo despertava nos americanos, mas que era tão diferente daquilo ao que nós chamamos de futebol (com o qual já sofria desde pequena!!). Quando estava na Universidade tinha férias em Fevereiro e descobri que a SportTV transmitiria o Superbowl, e foi assim em 2008 que vi o primeiro jogo a sério (e não fabricado nos cinemas/televisão) da NFL. Desde então, as finais que se seguiram vi sempre, embora as jornadas não conseguisse acompanhar porque estava a estudar.
Como em qualquer outro desporto que gosto de ver, se não o conseguir perceber… perco o interesse! Neste caso, como os comentadores (os melhores, mais fantásticos e sempre bem dispostos!!! :D) dos jogos da SportTV mencionavam as regras básicas no inicio e durante os jogos, consegui perceber o essencial para me tornar fã!!

Elsa: Bom, o gosto pela NFL nasceu pela paixão que tenho pelos desportos colectivos e por sentir, quando via um jogo, que a dinâmica e envolvência do jogo era grandiosa, contudo, os primeiros jogos que vi não foram fáceis porque não entedia as regras, mas depois de apanhar os vossos comentários tudo se tornou claro e muito mais interessante!

Marta: Devo dizer em primeiro lugar que sou uma fã muito recente e pouco assídua (infelizmente). O gosto pela NFL, foi através de um amigo que por brincadeira me mostrou um jogo possivelmente pensando que ia ver 1 minuto e mudar de canal. Qual o seu espanto quando lhe disse que tinha amado e que queria aprender mais sobre a NFL. Inicialmente não entendia as regras do jogo, não percebia porquê de tantos “choques entre jogadores”, mas confesso que foi o que mais me petrificou aos ecrãs. A força e ao mesmo tempo a velocidade e capacidade estratégica que os jogadores conseguem ter.
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3 – Como foi o processo de começar a gostar de uma equipa em particular.

Ana: Tornei-me fã dos Green Bay Packers durante a final de 2011 (apesar de jogarem de verde… e amarelo ainda por cima?!… ehehehhe), e desde então comecei a tentar acompanhar toda a temporada e torcer com mais fervor por esta equipa. Até aí, em todas as finais que vi da NFL acabei sempre por depois de começar a partida, escolher uma equipa por quem torcer: em 2008 escolhi os Giants, em 2009 os Cardinals, os Saints em 2010, os Packers em 2011, em 2012 inclinei mais uma vez para os Giants (se bem que aí, já algo amargurada com o jogo em que eliminaram os meus Packers!) e, em 2013 é que me dividi mais com o avançar do jogo entre os 49rs e os Ravens.  Não consigo explicar a 100% o porquê de me ter tornado fã dos Packers,…penso que várias coisas contribuíram para que em 2011 me despertasse mais “o bichinho” por eles: um facto que me atraiu foi ser a única equipa a não ter um dono e sim sócios; por ser um clube com muita história, do local ao qual chamam de “Title Town”, por onde passou um homem que é visto como a glória máxima do futebol americano-Vince Lombardi (assim como outras glórias do clube) também fez com que me tornasse fã dos Packers. Também por ser uma equipa “discreta” no sentido de parecer que não há tanta coscuvilhice e atração extra-futebol ou polémicas em volta de jogadores; E claro, o Superbowl “dramático”, a equipa coesa vencedora de 2011, a história de “underdog” de alguns jogadores e os resultados e as exibições que se seguiram em 2012, foram todos contribuintes para que permanecesse desde então, interessada nos Packers e aficionada do futebol americano em geral!

Elsa: Ora bem, isto aqui não é como gostar do Benfica desde pequenina porque já se nasce com esse sentimento nos genes! LOL. Confesso que no caso de ser fã dos Ravens a culpa é do Michael Oher e da sua historia de vida, por isso, o último Super Bowl foi o melhor deles todos!

Marta: Fiz várias pesquisas na internet, para perceber o funcionamento e regras do jogo e fui acompanhando alguns jogos e notícias quer em televisão ou internet. Comecei a gostar do percurso de alguns jogadores, e curiosamente dois deles são dos Falcons (Ryan e Gonzalez). Conhecendo um pouco melhor essa organização passei a ter como a minha equipe favorita os Falcons e desde então não a troco por mais nenhuma mesmo quando alguém me tenta convencer do contrário : )

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4 – Qual é a tua impressão de ser fã de uma modalidade que é vista como um desporto com uma maioria (em Portugal pelo menos) de audiência e comentadores homens.

Ana: Apesar de cada vez mais ser possível constatar um interesse da população feminina no desporto em geral, continua a haver uma maioria masculina como fãs da maior parte das modalidades, sendo também notado na NFL. Penso também, que só há poucos anos é que em Portugal começou a notar-se interesse numa modalidade que é muito diferente de outras a que estamos mais habituados.  É um jogo com muitas regras e tácticas de jogo muito especificas: “4” equipas em campo (quase!, porque cada equipa tem uma de ataque e outra de defesa,..isto se não falarmos nas “special teams”,…),… do qual também havia uma ideia de ser mais “violento”, com jogos muito longos e com muitas pausas e se associa ser idêntico ao râguebi (o qual também não tinha uma vasta série de adeptos). Com uma maior divulgação da mesma, os portugas também se começaram a interessar. Dentro desse grupo de fãs portugueses (maioritariamente, do género masculino, é certo!) parece haver agora um grupo de “ladies” mais malucas (EU!) que começaram também a gostar deste jogo de marmanjões! (eheheheh). Daí eu ter começado a escrever os meus “é-mailes” para o Ricardo e o Pedro durante os jogos transmitidos, para mostrar que também há mulheres portuguesas que gostam de assistir à NFL!

Elsa: É a impressão que tenho em relação ao futebol, ao basket e a todas as outras modalidades de jogos colectivos masculinos! Tirando o ballet, as danças de salão, a natação sincronizada que têm mais publico feminino do que masculino, no resto acho que as mulheres estão sempre em minoria, o que me dá um certo gozo! Por isso, adoro a sensação de poder opinar e argumentar entre o publico masculino, porque sim, quando falo sei o que estou a dizer!

Marta: Como mulher, gostar de um desporto onde, em Portugal, seguramente é visto como um desporto “para homens”, é precisamente por isso. Não há desporto de “homens nem de mulheres”. Julgo que as mulheres têm medo de gostar de desportos “de homens” pois terão medo de serem criticadas ou de serem menos femininas? Gosto da modalidade em si, não me perguntei se era um desporto para “homens”.

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5 – Se fosses a Comissária da NFL por um dia, qual seria a mudança na organização que achas que ajudaria mais a Liga?

Ana: Chegamos à questão mais complicada,… Penso que neste momento o atual comissário parece ter mão pesada e não perdoar quando acha que os jogadores, treinadores ou clube pisam o risco (não vamos falar de New Orleans porque não vale a pena voltar a esse assunto…!!). De forma geral, concordo com as medidas severas pois a função do comissário (penso eu!) será sempre de defender o jogo, a liga NFL acima de tudo (ainda por cima quando é gerado tento interesse e dinheiro á volta da mesma!!).  Do pouco que percebo das regras internas da NFL (algumas ainda algo confusas para mim… como os drafts e a organização dos clubes…)… talvez diria (tendo em conta um jogo em particular do ano passado!…) para ser aplicada maior disciplina também a árbitros que tenham um mau desempenho a gerir uma partida e a jogadores que cometam faltas digamos que mais duras/“pessoais”. Outro facto que a mim tem sempre sobressaído é de a época se prolongar numa fase final que é jogada no inverno que pode ser muito rigoroso em muitos locais dos EUA (como Green Bay, Chicago,…), podendo talvez, se começasse mais cedo, evitar-se temperaturas de -20ºC ou ainda menos durante os jogos?!?

Elsa: Relativamente a esta questão não consigo ter grande opinião porque as organizações desportivas nos EUA funcionam de uma forma completamente diferente do que em Portugal e até porque a dimensão de ambas não é comparável, contudo, acho que uma vez por mês, o publico ia ver os jogos sem pagar bilhete durante 1 jornada! LOL! É uma medida eleitoralista mas toda a gente ganhava com isto!

Marta: Se fosse Comissária por um dia, a primeira coisa que fazia era mandar uma equipa para a Europa. Termos dois jogos em Londres parece bem para começar, mas acho que uma equipa em permanência no nosso continente era uma ideia muito interessante. E ainda mais, com os meus “poderes ditatoriais” (porque não quero outros) era os Tampa Bay Buccaneers que vinham para cá, porque assim podia ver os Falcons a jogar “aqui ao lado” de vez em quando.

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2 comments on “Dentro da Press Room para a semana -3

  1. Óptimo artigo, trazendo um lado desconhecido da NFL, em português. Confesso que fiquei surpreendido pela existência de fãs femininas. O facto de ser um desporto “exótico”, sem qualquer raiz em Portugal, conotado com alguma violência, pelos tackles duros, manteria as mulheres afastadas. Pensamento errado, como se constata. Felizmente, temos percursoras, que conseguiram passar pelos estigmas que o futebol americano gera e perceber a grandiosidade do jogo.

    E que tal colocar uma delas a escrever um artigo?

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