Dentro da Press Room para a 1ªsemana de Fevereiro (2014))

press room

Esta semana no Dentro da Press Room, quando uma “guerra cultural” se cruza com desporto

A National Football League está a passar uma fase muito interessante para quem se interessa não só pelo que se passa dentro das quatro linhas, mas também em todo um “universo” que rodeia este produto (se quiserem, podem usar a expressão desporto no lugar de “produto”.

Depois do Comissário ter saído em defesa da decisão de Michael Sam de ter assumido a sua sexualidade, tivemos mais um momento durante esta semana onde novamente a NFL “liderou” o caminho para uma mudança de atitudes e pensamentos nos Estados Unidos.

O Super Bowl do ano que vem (ou desta época conforme o gosto) está marcado para ser em Arizona, nomeadamente em Glendale no University of Phoeniz Stadium. No entanto, a Comissão de Organização (Host Committee no original) do Super Bowl ameaçou o Estado do Arizona de mudar o jogo para outro Estado devido a uma proposta de Lei que foi entregue pelo Senado do Estado do Arizona (de maioria Republicana)  à Governadora (também ela Republicana) desse mesmo Estado, Jan Brewer.

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A Lei, Senate Bill 1062, tem na sua legislação que “proteções religiosas são aumentadas na lei estatal, o que permite a comerciantes de não prestar serviços se suspeitarem que os seus clientes são homossexuais, devido a isso poder infringir as suas sensibilidades religiosas”, dito de outra forma, “pode-se descriminar desde que se diga que é por causa de razões de religião” e não sofrer nenhuma penalidade com isso.

Imediatamente a reação de profundo repúdio veio de múltiplos lados, inclusive da Super Bowl Host Committee que emitiu uma declaração dizendo “ocultando os nossos parceiros económicos, a adopção desta Lei será contrária não só à missão da NFL, como inclusive, ao potencial económico do Estado do Arizona”, e a NFL fez saber que “a nossa política de tolerância e inclusão proíbem descriminação baseada em idade, género, raça, religião e orientação sexual”.

Não é a primeira vez que medidas “extremas” como estas acontecem na NFL. Já em 1993, o Super Bowl foi retirado ao Estado de Arizona (e mudado para o Rose Bowl em Pasadena, California), por causa de Arizona não ter oficializado um dia de homenagem a Martin Luther King, um dos líderes do movimento de igualdade social nos Estados Unidos.

No meio de tanta pressão, onde se incluiu imprensa, políticos e (principalmente) grupos económicos, como foi o caso do Greater Phoenix Economic Council e do Arizona Lodging & Tourism Association, a Governadora fez o veto da Lei, o que faz com que esta volte para o Senado, onde se espera que “morra” e seja abandonada pela maioria Republicana.jan

De qualquer forma, não deixa de ser um “sinal dos tempos”, que nestas “guerras culturais” (utilizando o termo no original culture wars) a NFL está a tomar posições que podem ser “polémicas” com certos grupos dos consumidores da Liga, mas parece-me em consonância com uma mudança dos tempos e um progresso civilizacional desejado.

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