Dentro da Press Room para a 2ªsemana de Abril (2014)

press room

Esta semana no Dentro da Press Room, Ricardo Silvestre e Pedro Viana falam de “treinos privados” (private workouts).

Quem acompanha mais de perto o processo de escolha de jogadores no draft sabe que um dos momentos importantes para selecionar um jogador sobre outro são os “treinos privados” – PW (private workout no original).

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O que é de importante (e de interessante) neste processo? Que diferença faz este momento em relação a simplesmente ver o percurso desportivo do atleta na sua Universidade, a juntar ao que faz no Combine?

Dependendo de qual o interesse no jogador e principalmente o investimento financeiro que a organização fará nesse jogador, o PW pode ter presente um avaliador de talento (scout), um treinador ou coordenador, ou então toda a equipa técnica, e por vezes membros da direção. Como exemplo, um jogador de primeira ronda de draft, seguramente terá presente no seu PW o general manager, o treinador principal, o coordenador da parte da equipa onde o jogador irá pertencer, assim como treinadores dessa posição.

Os PW não são só treinos físicos e de perícia técnica. Envolvem também entrevistas e questões táticas. Ao contrário do Combine onde o tempo com um jogador em entrevistas é limitado a 15 minutos, no PW, pode demorar o tempo que for preciso, apesar de normalmente serem sessões de 90 minutos.

Estas reuniões são de grande importância para ver a maturidade do jogador assim como alguns traços de personalidade. Se houverem assuntos… vamos dizer “pendentes” de questões legais, pessoais ou criminais, este é o momento para “tirar tudo a limpo”. Por esta altura, as equipas sabem (quase) tudo o que há para saber do atleta e se este for apanhado a mentir, é logo detetado pelos scouts.

Ainda na sala de reuniões, os treinadores de posição terão alguns filmes preparados de jogadas onde o jogador esteve envolvido. Desta forma pode-se avaliar o quanto o jogador entendia o sistema onde jogou na Universidade (no lugar de andar perdido no campo sem saber o que estava a fazer o resto dos seus colegas). Depois será a vez do jogador ser confrontado com esquemas da organização para que está a fazer o PW, para avaliar da capacidade do atleta em entender qual o “esquema preferencial” da equipa, por exemplo, um esquema defensivo, ou esquemas de rotas no ataque.

Depois é então o momento de ir para o campo, onde os treinadores terão exercícios preparados para testar a capacidade do jogador em completar as tarefas necessárias para a sua posição e para as necessidades que a equipa tem para ele (e para a posição que vai ocupar). De uma forma “velada”, o treinador também avaliará qual a reação do jogador às suas indicações, se ouve com atenção, se mostra sobranceira, se dá uma sugestão, se é mais ou menos rápido a reagir às indicações, etc.

Outra indicação que os treinadores também poderão obter da “postura” no PW, é saber o quanto o candidato se adaptará às exigências de conviver com jogadores mais velhos e mais “amadurecidos” de várias épocas como profissional. E como lidará também o jovem jogador com a pressão de ter de competir para a titularidade.
Um outro fator importante é ver o quanto é que os treinadores poderão “explorar o potencial” do jogador. Parece que ele ainda pode melhorar muito? Tem muito para aprender? Tem uma ética de trabalho que pode ser aprimorada. Também aqui o PW pode dar indicações de qual o “telhado” que o jogador pode atingir, e se esse será um processo fácil, ou pelo contrário, se é “difícil” demais para o investimento e o tempo que será feito nesse jogador.

Este é apenas um resumo de muitas outras coisas que acontecem neste dia. Como podem imaginar, quando se vai gastar milhões de dólares num jogador universitário é normal que o máximo de aproveitamento seja obtido no dia do PW. E se tudo correr bem, pode ser um princípio de uma “belo casamento” entre jogador e organização.

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Por todas estas razões o PW é considerado o momento mais importante da avaliação de jogadores que se preparam para entrar no Draft, isto porque é nesta ocasião que as equipas podem pela primeira vez avaliar realmente um jogador, sem terem de estar constrangidas em tempo ou no tipo de exercícios que vêem o atleta realizar.

Aqui os exercícios não são escolhidos por pessoas alheias à organização ou para irem de acordo aos pontos fortes do jogador, mas são sim escolhidos para poderem mostrar aquilo que o jogador terá de fazer na organização, dentro de campo enquanto jogador.

Esta será uma óptima oportunidade para a organização ver como se comporta o atleta fora do seu ambiente de conforto (isto quando o PW ocorre nas instalações da organização) e sobre situações de stress e pressão.

De realçar que os PW podem fazer parte de uma visita às instalações da organização (as organizações estão limitadas a 30 visitas de atletas fora da sua zona geográfica, ao passo que não há limite para o número de visitas de atletas locais) ou podem ser um evento realizado nas instalações da universidade do atleta, ou noutro local que vá de encontro aos interesses tanto da organização como do jogador (estes PW não têm um número limite).

No entanto, como se pode ver, se por um lado esta é uma ferramenta muito importante para a avaliação dos atletas, neste momento surgem noticias de que a sua existência poderá estar em perigo ou ser restringida. Isto porque quando os PW ocorrem fora das organizações, são um evento “à margem” das regras da NFL, onde os jogadores participam sem “protecção” ou compensação, para além de um seguro que possam ter contratado em seu nome individual.

Toda esta situação foi despoletada pelo facto de Brandon Thomas, um OL da Universidade de Clemson se ter lesionado num PW para a organização dos Saints, fazendo uma ruptura dos ligamentos cruzados anteriores, o que o fará estar afastado dos relvados durante algum tempo, o que prejudicará a posição em que será escolhido no draft (ou se será escolhido de todo), bem como o dinheiro que poderia ganhar no seu contrato de rookie.

Por estas razões poderemos começar a ver cada vez mais agentes ou atletas a recusarem convites para realizar PW’s, ainda por cima, os agentes não gostam muito dos PW’s, pelas falhas dos seus atletas que podem ser reveladas, e consequentemente fazer o jogador descer no draft, logo fazendo-os ganhar menos dinheiro. No entanto, dada toda a publicidade negativa que isso traria para o atleta, não vejo este evento a desaparecer por um todo, isto porque apesar deste episódio (que foi uma raridade, mas que podia ou pode acontecer a qualquer um), acredito que irá existir alguma diminuição no número destes eventos, mas não o suficiente para que deixem de ser uma importante, senão a mais importante, ferramenta de avaliação de atletas no processo que leva ao Draft.

 PV

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