Dentro da Press Room para a 1ª semana de Junho (2014)

press room

Esta semana no Dentro da Press Room, um post longo, com uma queixa em tribunal por antigos jogadores sobre o uso, e abuso, de medicamentos. Escrevi também (Ricardo Silvestre) uma opinião pessoal. Acho este assunto importante ( e interessante). Para continuar a ler depois do “salto”.

Numa queixa em tribunal por parte de 8 antigos jogadores, a NFL é acusada de “de uma forma intencional, irresponsável e negligente, ter criado e mantido uma cultura de abuso de medicamentos, substituindo a saúde dos jogadores por lucro financeiro”.

Antigos jogadores, como por exemplo, Jim McMahon e Richard Dent dos Chicago Bears afirmam que as equipas da NFL têm tido acesso a substâncias ilegais durante décadas, e que passaram esses medicamentos para os jogadores para estes deixarem de sentir dores e assim continuarem a jogar. Os queixosos também referem que muitas vezes os medicamentos eram dados sem qualquer referência a efeitos secundários que pudessem ocorrer.

Como exemplos de dependência destes medicamentos, McMahon, assim como Jeremy Newberry e Richard Green (todos ex-jogadores) descrevem que “receberam centenas, se não milhares de injeções e comprimidos por parte dos staff médicos, sem qualquer explicação de quais os efeitos secundários ou o processo de conjugação dos medicamentos”.

Richard Green sofreu três ataques de coração desde que se retirou, sofre de pressão elevada alta e teve que ter um transplante renal em 2012. Outro exemplo é de Newberry que também teve de ter um transplante de rim e que sofre de enxaquecas muito fortes, e que ainda por cima já não há medicamentos que façam efeito (alegadamente devido a habituação aos agentes ativos).

Este processo acontece depois de um similar ter sido feito em 2011, onde 12 antigos jogadores acusaram a Liga de ilegalmente ter obtido e adminstrado aos jogadores Toradol, um medicamento anti-inflamatório que é utilizado para…cavalos.

pills

Jogar magoado é parte da cultura da NFL, e algumas sondagens chegam a apontar para que 90% dos jogadores tenham jogado enquanto lesionados. Igualmente, outros questionários com ex-jogadores mostram que 52% usavam regulamente medicamentos para as dores, 71% responderam que em algum ponto da sua carreira abusaram na toma de medicamentos e que três em cinco jogadores receberam medicamentos de alguém para além do médico da equipa, como colegas, treinadores, preparadores físicos, fisioterapeutas, membros da família e via internet.

Este é um assunto sem dúvida complicado.

Tomar medicamentos é sempre um ato “pessoal”, no sentido em que, um médico os pode prescrever e eu não os tomar, ou tomar sem um médico prescrever, ou alterar a dosagem se um médico saber.  A ideia que um jogador também mete á boca qualquer coisa sem saber se lhe faz bem ou mal parece algo ingénua. Ainda por cima jogadores que têm (ou que deviam ter) um extremo cuidado, não só com a saúde, mas com o funcionamento do corpo, que acaba por ser o seu “meio de sustento”.

Ainda mais os jogadores na NFL são pessoas que são bacharéis (ou licenciados, conforme quiserem ver a coisa pelo acordo de Bolonha), e viveram num meio académico onde tem “a obrigação” de saberem melhor. Não estamos a falar de um qualquer miúdo que saiu da província ou favela para ser profissional de desporto e nunca viu um blister à frente.

Ou então, muitas vezes é como a impressionante cena (pelo menos para mim) no filme “Any Given Sunday”, onde o linebacker dos Sharks, neste caso o antigo jogador Lawrence Taylor, está a preparar-se para o jogo, e pede ao médico da equipa (representado por Matthew Modine ) “vá lá doutor, dê-me o shot de cortisona [para não ter dores durante o jogo]”, e num momento muito bem pensado por Oliver Stone (o realizador) vê-se a personagem do médico por segundo a debater-se com a ideia que “rompo eu com  o meu juramento de sempre zelar pela saúde dos meus pacientes…ou “fecho os olhos” e ajudo-o de uma forma ilegal a ele desempenhar melhor e ter bons resultado para si e para a equipa, mesmo que isso lhe possa fazer mal fisicamente?” (ver a cena aqui via Youtube).

ags

O que quero dizer? Provavelmente a culpa é de todos.

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