Dentro do Game Room (Week13-2016)

game room

 

Arriscar, ou não arriscar? Eis a questão!
Muitos são a favor de se arriscar na 4ª tentativa quando a equipa tem poucas jardas para ganhar, outros argumentam exactamente o oposto e defendem que se deve jogar sempre pelo seguro.
No jogo deste fim de semana entre os Kansas City Chiefs e os Atlanta Falcons tivemos os exemplos certos de quando fazer uma coisa e outra. Senão vejamos…
 
Com os Chiefs à frente no marcador por 20-16 a 13:02 do fim do 3º período e enfrentando uma 4ª tentativa com 1 jarda para avançar e a bola nas suas próprias 45 jardas, os Chiefs alinharam em formação de Punt, mas ao invés de executarem um punt normal, fizeram snap directo para o Up-back ou Personal Protector, Albert Wilson, que correu pelo meio da linha e acabou por marcar um TD de 55 jardas. Compensou arriscar? Compensou, pois marcaram um TD, mas não foi só a sorte que esteve aqui em jogo para permitir que esta jogada tivesse sucesso. Houve planeamento e foi isso que fez a diferença, pois segundo palavras do próprio Wilson, depois do jogo, esta tinha sido um jogada já ensaiada durante a semana. Os Chiefs sabiam que nestas situações os Falcons gostavam de trazer a pressão pelo exterior da linha, que faziam overload do lado oposto ao Personal Protector, logo que haveriam menos jogadores para bloquear desse lado (ver imagem), e que o returner Eric Weims, um WR, não é um jogador sólido a fazer tackles. Na melhor das hipóteses esperavam conseguir ganhar uma jarda, e o TD seria a cereja no topo do bolo. Se juntarmos a tudo isto o factor dissimulação ou surpresa, fica explicado porque compensou arriscar, uma vez que pelo facto de estarem à frente no marcador, dentro do seu próprio meio campo e numa formação normal de Punt, os Falcons nunca esperavam aqui uma jogada em truque e não estavam minimamente alertas para o facto disso poder acontecer.
 
punt
 
No drive seguinte e com 9:58 para jogar no 3º período, os Falcons chegam às 19 jardas de Kansas City e este é o resumo das jogadas efectuadas a partir desse ponto:
1st & 10 – Passe incompleto
2nd & 10 – Passe incompleto
3rd & 10 – Passe completo para 9 jardas
 
Eis-nos chegados à 4ª tentativa e 1 jarda para avançar com a bola nas 10 jardas dos Chiefs. Os Falcons decidem arriscar, mas decidem mal, primeiro porque vão fazer uma jogada normal que não apanha o adversário de surpresa e porque podiam ter ido para o field goal. Nesta altura os Falcons estão a perder por 11 pontos (27-16) e se conseguissem converter o first down e quem sabe chegar ao TD ficariam a 3 ou 4 pontos, logo precisariam sempre de mais uma posse de bola (a mesma coisa do que se tivessem ido para o Field Goal). Para além de que neste caso não existiria a recompensa, no caso de não conseguirem converter, de deixar o adversário muito junto à sua própria endzone (a bola estava nas 10 jardas de Kansas City). Resultado: Rollout de Matt Ryan para a direita e não há ninguém dos Falcons solto de marcação (ver imagem), passe forçado para Devonta Freeman que acaba incompleto. Turnover on Downs. Claramente os Falcons a tentarem responder ao Fake Punt concretizado pelos Chiefs, mas não precisavam.
 
failed-4th
 
Com 12:01 para jogar no 4º período, os Falcons marcam TD e passam o resultado para 27-22 e arriscam a Conversão de 2 Pontos. Mais um passe incompleto na direcção de Devonta Freeman. Aqui até se compreende a decisão de ir para 2 pontos, mas às vezes mais vale 1 ponto na mão do que 2 a voar, especialmente depois de já se terem deixado 3 pontos voar.
 
O que nos leva até à jogada que decidiu o encontro. Falcons acabam de marcar e passam para a frente por 28-27 com 4:37 para jogar. Na segunda parte os Chiefs só tinham marcado pontos no fake punt, de resto todos os seus drives tinham terminado em Punts e a defesa dos Falcons estava numa boa fase. Como vimos à pouco, com os 4 pontos deixados voar anteriormente, os Falcons podiam estar aqui numa situação de vantagem por 5 pontos, mas como não era esse o caso, decidem arriscar mais uma vez a conversão de 2 pontos, para colocar os Chiefs a 3 pontos de distância. Sim os Chiefs, essa equipa poderosa no ataque que marca TD’s de forma super rápida, ou então não. Então na conversão de 2 pontos, Matt Ryan ignora todas as suas outras opções de passe (também estavam todas marcadas) e passa para o seu rookie TE Austin Hooper que está a executar uma rota para o flat. O mesmo flat para onde à pouco o Devonta Freeman tinha executado a sua rota na anterior conversão de 2 pontos falhada, só que desta vez estava lá já o Safety Eric Berry à espera (ver imagem) e consegue interceptar a bola e retorná-la para 2 pontos, mas para os Chiefs, colocando assim o marcador em 29-27 e dando a vitória à equipa de Kansas City. A jogada tinha tudo para correr mal, a repetição de um pattern que já tinha resultado num passe incompleto numa conversão de 2 pontos anteriores, a inexistência de uma rota num nível inferior para impedir que uma intercepção na goal line terminasse num TD, e em última análise o facto de que os Falcons não tinham de ter medo de que os Chiefs fossem ainda marcar um FG antes do tempo se esgotar, não da maneira como a defesa dos Falcons estava a jogar na 2ª parte e da forma lenta como os Chiefs conduzem o seu ataque.
 
pick-2
 
Fica mal na fotografia de todo este jogo, Dan Quinn que gere muito mal o capítulo do Situational Football, durante todo o encontro, parecendo por vezes reagir por impulso em função daquilo que o adversário já tinha feito. Se os Falcons ficarem de fora dos playoffs devido a esta derrota, a culpa será sem dúvida do Head Coach.
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