Uma “batalha” a ter, dentro do jogo

Um grupo liderado por Jesse Mez, do Disease and CTE Center, Boston University School of Medicine em Boston, avaliou quais as características neuropatológicas, e clínicas, de uma série de casos de jogadores de futebol americano falecidos, que tinham ido diagnosticados neuropatologicamente com encefalopatia traumática crónica (CTE). Relembrando o que é a CTE, é uma doença degenerativa observada em atletas que praticam desportos com impactos constantes e que se instala num longo período de tempo.

Numa “amostra de conveniência”, com 202 jogadores de futebol americano falecidos e que doaram o cérebro para investigação, CTE foi diagnosticado em 177 jogadores em todos os níveis de jogo (87%), incluindo 110 de 111 antigos jogadores da NFL (99%).

A conclusão natural de um estudo como este é que, a alta proporção de jogadores que mostravam sinais de CTE quer dizer que essa condição está associada com a prática de futebol Americano

Quando se “mergulha” mais no artigo, alguns dados são preocupantes, por exemplo, a média de anos de vida destes jogadores foi de 67 anos, com alguns deles a morrerem com 52. Em média a participação em futebol Americano foi de 15 anos, com alguns dos atletas a jogarem desde o ensino secundário, mas a larga maioria desde a Universidade. Nos 27 sujeitos que foi diagnosticada CTE menor, registos médicos prévios ao falecimento mostravam que se manifestavam sintomas cognitivos e demência. Nos 84 que foi diagnosticada CTE severa, acrescentavam-se aos sintomas já apresentados, alterações de humor e de comportamento.

Das posições em campo os linebackers tiveram 12 casos diagnosticados com CTE menor, 14 com CTE severa. Quanto a CTE severa, os números são muito preocupantes, e que mostramos na tabela em baixo, mas reparem no número assustador de casos em jogadores da linha atacante e defensiva.

cte

Para quem gosta do futebol Americano como não gostamos, estes números “justificam” algum alarmismo que a NFL pode estar a caminho de desaparecer, ou de ter uma alteração tão radical que quase será impossível reconhecer o desporto. À medida que a Liga vai melhorando a sua postura neste assunto, e principalmente novas regras e condições vão sendo instaladas para tornar o jogo mais seguro, outras ainda é preciso repensar, como é um dos “cavalos de batalha” do nosso amigo Gregg Easterbrook, sobre os jovens não começaram a jogar futebol Americano, com equipamento completo, sobretudo capacete, tão cedo como se observa nos Estados Unidos.

E sendo o futebol Americano um fenómeno cada vez mais global, onde se inclui Portugal, é bom que, centralmente (LFL, CFL), mais medidas sejam tomadas para lidar com este problema, e que se espera, sejam copiadas pela NCAA e pelas diferentes conferências de high school nos USA, como inclusivamente nas ligas dos diferentes países onde o desporto está instalado, ou está a crescer.

Se não queremos o nosso desporto modificado a um ponto que não seja mais aquela modalidade que tanto gostamos, por outro lado também não há prazer em ver um jogo onde só homens inconscientes, ignorantes, ou suicidas, queiram participar.

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3 comments on “Uma “batalha” a ter, dentro do jogo

  1. Pingback: Quando o Presidente dos USA tenta minar o principal desporto desse país | NFL em Português

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