Dentro da Press Room Week14-2017

Durante muitas décadas, uma das características do hóquei em gelo, versão NHL, era a necessidade das equipa terem “enforcers”. Essa era a função de jogadores que com pouca capacidade técnica ou disponibilidade atlética para patinar e marcar golos, entravam no gelo para proteger os jogadores virtuosos de serem alvo de choques mais violentos pelos adversários. Alguns exemplos conhecidos são o de Clark Gillies a proteger  Mike Bossy e Bryan Trottier durante os anos 80 com os Islanders, ou Marty McSorley a proteger o Great One em Edmonton.

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No entanto, essa necessidade começou a ser progressivamente abandonada à medida que a Liga começou a ser cada vez menos tolerante com impactos violentos no gelo, pugilato para se marca uma posição. Desenvolveram-se novas regras, e foi pedido aos árbitros uma intervenção mais directa para impedir, ou controlar, situações violentas. Os “saudosistas” da “velha escola” da NHL queixam-se que o jogo perdeu algo de essencial, e algum do entusiasmo de antigamente, mas as mudanças vieram para ficar, e não há maneira de fazer voltar atrás o relógio.

No final do jogo desta segunda-feira na NFL, entre Steelers e Bengals, Lisa Salters da ESPN perguntou a Roethlisberger: “Como pode explicar a maldade e a brutalidade que observamos neste jogo?”. O quarterback dos Steelers respondeu “é o football da AFC Norte”.

Esta é a resposta errada, e uma mentalidade que precisa de mudar na NFL, como mudou na NHL.

No quarto período do mesmo jogo, o receiver dos Steelers, JuJu Smith-Schuster, fez um bloqueio com violência desnecessária, sem o jogador adversário estar à espera que isso acontecesse e por causa disso estar desprotegido (o  linebacker dos Bengals, Vontaze Burfict). Depois do bloqueio, o jogador dos Steelers ficou por cima do adversário, numa atitude de afronta e arrogância.  A resposta da Liga foi suspender o jogador por um jogo por “actos perigosos e anti-desportivos”.

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Seis jogadas depois, o reciever dos Steelers António Brown recebeu um passe para touchdown, e foi atingido pelo safety dos Bengals, George Iloka, capacete com capacete, com o defesa a lançar-se para a placagem, liderando com o capacete, com o intuito claro de tentar magoar o adversário. Iloka foi também suspenso pela Liga com um jogo, com o jogador a apelar da decisão e esta a ser reduzida para uma multa de $36,464.

Até mesmo um defensor acérrimo da Liga e dos jogadores, como é o caso do comentador da ESPN, Jon Gruden, sentiu a necessidade de dizer no ar, durante a transmissão, “eu não gosto de ver este tipo de jogo”. E isso vindo de Gruden!!

Tal como na NHL, algumas rivalidades mais violentas é que tem trazido alterações. Os duelos entre Bengals-Steelers têm sido férteis em controvérsias que conduzem a alterações. A Carson Palmer Rule foi introduzida em 2006 para impedir que os quarterbacks sejam placados na zona dos joelhos, a Hines Ward Rule proibe bloqueios parecidos com o que aconteceu com JuJu Smith-Schuster. Ryan Shazier também criou a sua “regra”, por ter usado o topo do capacete para placar o running back dos Bengals, Giovani Bernard, que sofreu nessa jogada um traumatismo craniano.

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A NFL deve punir, e punir de uma forma exemplar estes comportamentos, tanto “ocasionais” como foi o caso de Gronkowski, como em “retribuição”, no caso de rivalidades ou “contas a ajustar”. Também como na NHL, o que acontecerá é que alguns “puristas” irão protestar que a Liga se está a tornar menos física e violenta, mas ainda bem, e quanto mais rápido, melhor, para que não se afaste a grande maioria dos espectadores da modalidade.

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One comment on “Dentro da Press Room Week14-2017

  1. E por falar dessa placagem violento que shazier fez ao Gio no último jogo dos playoffs, não só devia ter sido assinalada falta desnecessária, como também deixou Gio inconsciente, deixando cair de imediato a bola (provocando um fumble). Os árbitros não assinalaram falta, apenas afirmando que a jogada foi “down by contact”. Acrescentando a isso, o treinador dos Steelers, atirou o “red flag” minutos depois (pois como houve paragem, e foi prolongado a paragem, no jogo devido à preocupação natural a um ser humano) para fazer challenge, o que visto nas imagens, foi mesmo fumble. Mas pergunto, ONDE EXISTE O FAIR-PLAY??? A ética de ver o seu jogador (shazier) atingir o adversário de capacete (devendo saber que deveria ser falta, e até os comentadores estranharam a não assinalada falta), para fazer challenge, preocupando mais em ganhar o jogo!!!!!
    Não digo isso por ser adepto dos Bengals, mas como se sabe: violência cria violência. Se bem devem recordar, passados o jogo tornou-se muito físico, tendo perto do fim, o Burfict fazer capacete com capacete ao Antonio Brown, deixando-o com traumatismo craniano (faltando ao jogo seguinte do divisional round), mas ao qual, esse sim, foi assinalada falta desnecessária pelos árbitros.
    Acho que a rivalidade está a ser levado muito a extremos!!!

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